naufrágio órfico das musas







atiradas ao solo
as palavras ousam-se
num re.verbar exílios a que o sol
golpeia o signo .restam exílios em
véus de amantes e o mar
adverso à saudade
ombreia olhares na ausência dos ecos
fiel
ao naufrágio órfico das musas de papel






caras ionut







rastos de púrpura







a distância despede-se em sílabas
opostas ao segredo de uma música
que
deixa rastos de púrpura em
frases re.visitadas .há um coração sofrido
que
vacila entre a noite e o dia num
abandono de corpos .e há
ainda
uma abordagem de excelência no seio de
quem pendula a i.mortalidade






caras ionut







na monotonia das manhãs com chuva







trago no bolso das calças o frio e a
monotonia das tardes .de manhã
porque a noite é um lugar de falácias






caras ionut








pensamento apagado pelo medo







é na várzea
.no mosteiro que os arcanos manifestam
o gosto pelo tempo perdido em Ser-se-lúcido
.temem a aridez da insónia e tudo o
que o abandono traduz de seguro .espera-os
um terror tranquilo .talvez canto .talvez grito
quando o rumor dos cedros e a dormência
do rio lhes bloqueia a linguagem do animal
que trazem no peito
enquanto a cidade
escusa
pelas traseiras das casas
os incomoda .esquecem o orago como
tumulto e porque rasados pelo
gesto dos comuns mortais deixam-se
resgatar pela serenidade de uma flor de bruma   






caras ionut







porque se habituaram as palavras







quando a viagem pela escrita des.acata
tenho sede e amo .amo a epifania dos dias
.as frases inscritas no côncavo das mãos
.nelas há pássaros de gelo
.areias brancas e animais cujos hábitos
se condensam .mas da escrita
como morada de orfandades
aparto o absurdo na linguagem
dos vencidos






caras ionut







no crepúsculo dos dias menores







amanhã deixarei as minhas vestes
assentes na folha que roubei a Baudolino
.apagarei as asas do falcão e em seu lugar
cuidarei de plantar ervas aromáticas em redor do
cabelo .deitar-me-ei na terra ou dançarei ao
som dos acordes na badana dos livros ainda
por escrever .comerei o gelado
que reservei para o tempo dos frutos vermelhos
se na urgência do amor
me vestir de solilóquios .então e
só então
segundo o rumor fóbico das vozes voltarei
ao lugar onde os versos se têm por pássaros






caras ionut







desgaste







é de manto carmim que cubro as palavras
.que em silêncio as adormeço .que as acordo
na avidez da escrita ou as deixo folgar no
encosto de um lápis rendido ao encontro
.outras vadias .errantes e felinas
sussurram injúrias .prantos .gargalhadas
e ais .penduram-se às portas e deixam-se
embalar na fúria dos ventos .adornam-se
de rendas e
já meninas crescidas
correm ao encontro dos parágrafos
onde repousam entre cópulas e beijos .são de
encontros carnívoros que se vestem os versos
conluiados à sombra e
aquecidos na lama ao sabor da voragem






caras ionut







palavras duras







não sei porque tenho nas farpas
palavras de rendição






caras ionut







rendo-me à in.definição de um tempo







sei-me escama num corpo de peixe
.ave em pousio ou canto
menor
no tempo de imitar
a falência dos títulos






caras ionut







.4

























 ... a ferro & fogo 
























em verbo póstumo







é no diagnóstico precoce de uma resiliente
sanidade que me demoro na argúcia dos
títeres .diagnostico-me pitonisa de um modo
outro de des.armar os cantos
.auguro-me na linguagem
matricial .no oculto significado dos cardos e
numa lógica confinada ao sofisma
.persisto rumo ao abismo .à matriz que
diaria mente
me restitui
a aridez de uma folha de papel A4






caras ionut







premonição







antevejo-me na afemia dos arcanos
.SOU UM EPÍLOGO em pausa e
tenho sono






caras ionut







a dança dos loucos







amanhã é tarde demais
para enterrar as palavras .intima-se
um pedido de desculpa .somos demasiado
loucos
para entender a dança dos parágrafos .depois
só a negação dos acordes
.a espera como momice






caras ionut







o jogo das horas mortas







o jogo tarda .as palavras iniciam a
dança das opacidades e o luto arrasta-se
pelo tecido dos enredos .consumidos
em desmando os sonhos escondem-se dentro
da placenta da escrita e o parto
assumido como verdade
desce ao silêncio das horas .nados-mortos
.impasses re.tardados .sentimentos
vagos
adiados entre a tolerância e a loucura
são resíduos de uma intimidade que o
Poeta
como sono vaginal
inscreve no in.certo .é hora de partir






caras ionut







entre modos e modilhos







quanto medo na mentira que afoga o
sentido do absurdo .esterilizado como
a farpa que se lhe aponta .o golpe
talvez certeiro oscila entre os papéis
as palavras e os motes .esquecidos
sobre a secretária
mudos e
castos
aguardam o instante de saltar para o
écran do computador que os namora
há muito .há um colapso imaginário
gélido e
ácido
instalado no eco das frases que se
apegam ao papel .o salto impõe-se e
o excesso da loucura manifesta-se no
momento em que as folhas
ir.reconhecíveis
iniciam o bailado dos excessos






caras ionut